07 passos para desenvolver uma rotina de estudos

07 passos para desenvolver uma rotina de estudos

Por David Maxsuel Lima¹.

Passo 1: Mapear tempo livre ( = disponível para estudos) durante a semana


Quanto tempo tenho para estudar? Essa é a primeira pergunta a ser feita quando se pretende desenvolver uma rotina de estudos. Ter uma visão global do tempo realmente disponível para fins de estudos é de extrema importância tanto para criar um hábito de aprendizagem quanto para trabalhar metas de médio e longo prazo. No mapeamento desse tempo é importante ter em mente que os horários identificados serão integralmente dedicados aos estudos, precisando ser deixada de lado qualquer outra atividade. Sendo mais simples: o horário de estudos é sagrado.
O mapeamento do tempo livre possibilita, ainda, trabalhar um aspecto essencial para o desenvolvimento de uma rotina de estudos: a regularidade. A regularidade, sem sombra de dúvidas, é bem mais rentável que a quantidade de estudos. O estudo regular, sem hiatos, se apresenta mais produtivo do que, por exemplo, uma dedicação exaustiva de várias e várias horas aos estudos de forma irregular. 
Mapear o tempo livre, de igual forma, auxilia na aquisição de disciplina. E disciplina, como diria o poeta, é liberdade. Ter prévia ciência dos horários livres e de dedicação exclusiva aos estudos nos condiciona a não postergar essa atividade. Tal mapeamento também diminui uma eventual ansiedade adquirida pela sensação de não saber administrar o tempo que se tem.
Considero importante, já nesse passo, a montagem de um quadro de horários. Esse quadro de horários deve conter: (a) os dias da semana dedicados aos estudos; (b) o horário de estudos por dia; (c) a carga horária de estudos pretendida (meta de curto prazo); e (d) espaço para a carga horária efetivamente alcançada.
Fiquemos com um exemplo: considere uma pessoa que tenha o período da manhã livre para estudos, trabalhando/estagiando no período vespertino e se dedicando à faculdade no período noturno. Considere, ainda, que nas segundas e sextas-feiras não há horários disponíveis para estudos, tendo em vista compromissos de variada ordem. No período da manhã, essa pessoa estabeleceu a meta de 5h líquidas de estudos. Sendo assim, estudará das 7:00 às 12:15, em quadro blocos de 75 minutos, intercalados por intervalos de descanso de 5 minutos. O domingo, nesse exemplo, ficou destinado ao descanso, nada impedindo, entretanto, eventuais leituras descompromissadas nesse dia. 
Eis, então, o quadro de horários:

07 passos para desenvolver uma rotina de estudos

O quadro acima pode ser adaptado de acordo com as peculiaridades identificadas pelo estudante em sua rotina diária. O essencial, porém, é estipular de forma clara e precisa quais os horários de dedicação exclusiva aos estudos. Caso existam horários a respeito dos quais não haja total certeza sobre sua disponibilidade para fins de estudos, o mais indicado é deixá-lo de fora do quadro de horários para no momento de distribuição das disciplinas objeto de estudo (Passo 2) não correr o risco de alocar uma disciplina em um bloco de horário eventualmente indisponível.

Passo 2: Distribuir as disciplinas objeto de estudo pelo tempo livre mapeado


Tendo em mãos o quadro de horários elaborado com base nas orientações contidas no Passo 1 fica muito mais fácil executar o Passo 2. A escolha das disciplinas, nesse contexto, depende muito do objetivo traçado pelo estudante. Para fins de exemplo, vamos considerar um candidato que queira, antes de direcionar seus estudos para determinado concurso, ter uma visão geral das disciplinas com maior incidência na maioria dos concursos para as carreiras jurídicas, quais sejam, Direito Constitucional, Direito Administrativo, Direito Civil, Direito Processual Civil, Direito Penal, Direito Processual Penal, Direito Empresarial e Direito Tributário.
Logo, temos 8 disciplinas a serem distribuídas por 16 blocos. Abstraindo-se do volume de conteúdo inerente à cada disciplina, isto é, da concreta possibilidade de se destinar mais blocos a uma disciplina em detrimento de outra, é possível destinar 02 blocos para cada disciplina elencada, ficando o quadro de horários com os seguintes contornos:


07 passos para desenvolver uma rotina de estudos


Perceba: apenas com a execução dos dois primeiros passos já é possível criar uma estrutura bem sólida para os estudos, sendo possível, através de uma simples conferência ao quadro de horários construído, identificar o período de tempo dedicado aos estudos, as necessárias pausas, as disciplinas objeto de estudo e o tempo líquido de estudos efetivamente atingidos. Isso, como já dito ao longo do texto, contribui sobremodo para o alcance de regularidade e disciplina, palavras-chave na construção de uma rotina de estudos.

Passo 3: Organizar o material de apoio (vídeo/livro/resumo/sinopse etc.) das disciplinas objeto de estudo


Vencidos os dois primeiros passos, é hora de organizar o material de apoio que acompanhará o estudante durante toda sua jornada de aprendizagem. Aqui vale a premissa básica: não há material que seja completo ou material único para o concurso A ou B. A escolha do material didático depende de várias circunstâncias, tais como o nível de conhecimento prévio do estudante, o objetivo a ser alcançado, a facilidade com certo tipo de material. Para alguns, talvez seja mais eficiente o estudo por doutrinas mais aprofundadas; para outros, manuais voltados para concursos ou mesmo sinopses. Talvez seja necessário, ainda, a apreciação de um cursinho, seja presencial, seja à distância, para contrair um ritmo de estudos.
É preciso lembrar, ainda, que a escolha do material deve manter correlação com o tempo disponível para os estudos: se o tempo é escasso, talvez não compense mergulhar em doutrinas mais "pesadas"; por outro lado, se o horário de estudos é estendido, essa possibilidade, ao menos de início, não merece ser descartada.
Para aqueles que preferem um cursinho, atualmente há opções presenciais e não presenciais. Há quem prefira os cursinhos presenciais, pois estes tendem a auxiliar, no início da jornada de estudos, na aquisição de uma rotina. Outros, preferem os cursos não presenciais, seja pela economia de tempo com deslocamento, seja pela facilidade consistente em estudar em qualquer horário. Resta claro, portanto, que cursos online demandam do candidato uma maior disciplina, pois é ele quem fará seu próprio horário, distintamente dos cursos presenciais, onde o quadro de horários é previamente estabelecido pela prestadora de serviços. O caminho mais fácil, em todo caso, é escolher a opção que melhor se encaixa no cotidiano do estudante.
Frequentar um cursinho também se revela uma ótima estratégia de estudos. Durante as aulas, é possível montar um "manual caseiro" que abrangerá os principais pontos da matéria e, por conseguinte, os de maior incidência em provas de concurso. Referido manual poderá, futuramente, constituir excelente ferramenta de revisão de conteúdo.
O uso de sinopses e resumos, embora preterido por alguns concurseiros, se bem utilizado, pode ser um forte recurso para a aquisição de conhecimentos. Para aqueles que tem como material de apoio central a doutrina, as sinopses e resumos ingressam na rotina de estudos como material de revisão, sendo o material mais recomendado para retas finais de preparação ("pós-edital"). Já para quem dispõe de curto tempo para os estudos, a recomendação é o uso de sinopses e resumos como material de apoio central, somente se valendo da doutrina em disciplinas com as quais não tenha maior intimidade, bem como em pontos de dada disciplina que mereçam maior aprofundamento ou não foram explicados com a clareza necessária nas sinopses e resumos.
 Escolhido, organizado e separado o material de apoio, é hora de determinar um método de revisão/fixação do conteúdo, conforme explicado no próximo passo.

Passo 4: Determinar um método de revisão/fixação do conteúdo (mapas mentais / questões (objetiva e discursivas) / resumo)


A revisão não é uma opção, é etapa obrigatória numa rotina de estudos. Certos concursos chegam a elencar em seu Edital cerca de 20 (vinte) matérias, exigindo do candidato um conhecimento geral de todas elas. Não basta, assim, a dedicação exclusiva à leitura de doutrina, sinopse ou resumos. Mostra-se sobremodo necessário determinar um método de revisão/fixação do conteúdo para que, num período curto de tempo, o candidato possa "passar os olhos" por todos os pontos já estudados.
Particularmente, costumo classificar os métodos de revisão/fixação de conteúdo em  métodos ativos e métodos passivos. Os métodos passivos de revisão/fixação de conteúdo são aqueles que não demandam do candidato nenhum esforço excedente àquele exigido no seu dia a dia com o material de apoio central. Trata-se da leitura de manuais caseiros ou de um resumo mais pragmático.
O método ativo de revisão/fixação de conteúdo, por outro lado, abarca os mapas mentais e a resolução de questões (objetivas e discursivas). A confecção e contato com mapas mentais, nesse contexto, são ótimos aliados do estudante e não merecem ser descartados, de plano, da lista de métodos de revisão/fixação de conteúdos.
Em todo caso, julgo indispensável o hábito de resolver questões de concursos anteriores, tanto objetivas quanto discursivas. É, com certeza, o método mais apropriado de pôr à prova os conhecimentos adquiridos ao longo da jornada de estudos e, ao mesmo tempo, fixar/revisar pontos da matéria talvez esquecidos.
A resolução de questões revela-se também um ótimo termômetro para distinguir o grau de evolução do estudante dentro de dada disciplina ou no bojo de dado assunto. A partir da resolução de questões é possível, por exemplo, constatar que uma disciplina merece maior atenção (1 bloco a mais, talvez), que dado tema merece uma nova leitura, que o material de apoio central utilizado para o estudo da disciplina ou tema talvez não seja o mais adequado para o perfil do aluno, merecendo ser substituído.
Para aqueles que enfrentarão fases discursivas, a resolução de questões discursivas também pode ser incluída dentre os métodos de revisão/fixação de conteúdo. Com efeito, discorrer sobre dado assunto ou resolver determinado caso prático demanda do estudante um esforço intelectual que certamente o encaminhará para o domínio do tema abordado.
Feito isso, hora de partir para o próximo passo.

Passo 5: Estabelecer uma ordem prévia de evolução em cada disciplina



De nada adianta termos em mãos um quadro de horários perfeito, um material de estudo organizado e um método de revisão previamente estabelecido se não tivermos traçado o itinerário evolutivo dentro de cada disciplina.
Em outras palavras, é preciso que, antes de iniciada a jornada de estudos, o estudante tenha ciência do seu passo a passo de aprendizagem. É nesse momento que devemos estabelecer se primeiro fazemos a leitura da doutrina ou se assistimos a uma aula de cursinho; se o estudo de jurisprudência irá ou não preceder ao estudo de lei seca e etc.
A execução desse passo parece bastante simples. Consideremos, por exemplo, um estudante que estabeleceu a seguinte ordem de evolução em cada disciplina:
  1. Vídeo-aulas: num primeiro momento, esse estudante assistirá a vídeos a respeito do assunto objeto de estudo, sejam da internet, sejam de cursinhos (presenciais ou não);
  2. Leitura de doutrina: finda a apreciação de vídeo-aulas, esse estudante partirá para a leitura da doutrina a respeito do tema abordado, aprofundando-se no assunto;
  3. Leitura de legislação seca: sendo o caso, o estudante compulsará a legislação pertinente, tendo em vista o excessivo número de questões de concursos fundadas única e exclusivamente no texto legal;
  4. Análise de jurisprudência: caso o tema estudado seja daqueles que geram grande controvérsia no plano jurisprudencial, o estudante poderá aproveitar o ensejo e pesquisar como o assunto vem sendo tratado pelos Tribunais Superiores;
  5. Resolução de questões objetivas: concluídas as etapas anteriores, o estudante já pode partir para a resolução de questões, testando os conhecimentos até então adquiridos;
  6. Resolução de questões discursivas: opcionalmente, o estudante pode também resolver questões discursivas, perfectibilizando seu raciocínio dentro de determinada temática; e
  7. Revisão de conteúdo: aqui, basta executar o Passo 4.

Para facilitar, é de bom tom que o itinerário montado seja observado de igual forma em todas as disciplinas, nada impedindo, entretanto, pequenas alterações para atender às necessidades inerentes a dado tema ou disciplina.
É possível, ademais, incluir outros passos no itinerário acima ilustrado, bem como excluir os que, conforme a necessidade do estudante, não sejam de grande valia.
Executados os cinco primeiros passos é o momento, então, de colocar tudo em prática.


Passo 6: Disparar o cronômetro




Sim, cronômetro. O desenvolvimento de uma rotina de estudos depende muito dele. É normal que no início da preparação o estudante tenda a se distrair facilmente, com idas e vindas ao banheiro, com acesso às redes sociais, com interrupção dos estudos para passear na cozinha. 
Sendo os estudos cronometrados será possível, ao fim do horário para eles destinados, identificar, de fato, quanto tempo foi dedicado à aprendizagem e quanto tempo se perdeu com distrações. E isso nos remete a duas palavras já expressas nesse post: disciplina e regularidade.
Cronometrar o horário de estudos auxilia também no fiel cumprimento do quadro de horários montado nos dois primeiros passos. Cumprir rigorosamente os blocos e pausas ali estabelecidos é um passo importante para criar o hábito de estudar e não fazer dos estudos uma carga pesada demais para carregar.
Sendo assim, executados os cinco primeiros passos, é hora de disparar o cronômetro e desenvolver, na prática, a rotina de estudos.


Passo 7: Otimizar os Passos 2 e 3 com base nos resultados obtidos no Passo 4 (notadamente resolução de questões).




Antes de elucidar esse passo, um alerta: é evidente que o estudante não conseguirá executar, com perfeição, a rotina de estudos que estabeleceu. Imprevistos acontecem e o estudante tem de aprender a lidar com eles. O planejamento, como visto, é a melhor forma de, digamos, "prever os imprevistos".
Saber com antecedência que em certo dia não será possível estudar garante ao estudante a possibilidade de, por exemplo, realocar, em caráter excepcional, a grade de estudos previstas naquele dia para o domingo, ou mesmo para um horário que, via de regra, não seria dedicado aos estudos.
Esclarecido isso, vamos ao passo 7.
Nesse passo, o que deverá ser feito é basicamente uma autoanálise por parte do estudante. Se, efetuada a revisão do conteúdo e levado a efeito a resolução de questões o desempenho em provas não apresentar resultados positivos (ressalto, aqui, a importância de resolver provas anteriores com certa regularidade), é sinal de que o quadro de horários (Passo 1 e Passo 2) e/ou o material de apoio (Passo 3) não estão atendendo às suas exigências enquanto estudante.
Identificada a deficiência no quadro de horários ou no material de apoio, seja porque o número de blocos dedicados a uma disciplina não se mostrou suficiente, seja porque a só leitura de sinopse não garantiu o conhecimento necessário para a resolução correta de um número considerável de questões, é o momento de reorganizar o quadro de horários e substituir o material de apoio.
Esse talvez seja o passo mais importante para garantir êxito num projeto de estudos de médio e longo prazo, notadamente voltado para concursos de carreira jurídica (Magistratura, Ministério Público, Defensorias etc.).

Conclusão


Com isso, concluímos os 07 passos para desenvolver uma rotina de estudos. Ficou com dúvidas? Acredita que algo poderia ser acrescentado ao post? Tem sugestões a apresentar? Basta deixar seu comentário, entrar em contato ou com o site ou diretamente com o redator do texto (aqui). Bons estudos!

¹David Maxsuel Lima é o idealizador e gerenciador do site Dr. Civilize-se! É estudante de Direito do 10.º Semestre pelo Centro Universitário da Grande Dourados (UNIGRAN). É escritor, com um livro publicado, tendo atuado como cronista no coletivo Vida a Sete Chaves (2012-2014). É concurseiro (mas não passou no concurso do INSS/2015).



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