TEORIAS DE CRIAÇÃO E JUSTIFICAÇÃO DA SOCIEDADE


Teorias de Criação da Sociedade

Existem duas teorias que buscam explicar a origem da sociedade. Uma afirma que a sociedade é fruto de um impulso associativo natural a outra afirma que é fruto de um contrato firmado entre os homens.
a) Tese Natural: sociedade é fruto da própria natureza humana, inerente ao próprio homem.
1) Aristóteles: “o homem é um animal político”
2) Cícero: “a primeira causa de agregação de uns homens a outros é menos sua debilidade do que um certo instinto de sociabilidade em todos inatos; a espécie humana não nasceu para o isolamento e para a vida errante, mas com uma disposição que, mesmo na abundância de todos os bens, a leva a procurar o apoio comum”.
3)   Santo Tomás de Aquino: “o homem é, por natureza, animal social e político, vivendo em multidão, ainda mais que todos os outros animais, o que se evidencia pela natural necessidade” – “ vida solidária é exceção, que se enquadra em três hipóteses : excellentia naturae (indivíduo notadamente virtuoso, que vive em comunhão com a própria individualidade), corruptio naturae (casos de anomalia mental), mala fortuna (acidente tipo naufrágio)”

b) Tese contratual: diversas teorias tentam explicar, do ponto de vista contratual a sociedade, o ponto comum é a negativa do impulso natural afirmando que só a vontade humana justifica a existência da sociedade, o que vem a ter influência primordial na organização social, poder social e no relacionamento dos indivíduos com a sociedade.
1)   Platão (A República) Thomas Moore (Utopia), Tommaso Campanella (A cidade do sol): descrevem sociedades isentas de males e das deficiências,  imaginando-se uma organização ideal.
2)   Thomas Hobbes (Leviatã): “o homem vive em estado de natureza (isolado)o que gera um temor de todos contra todos, e para garantir a paz, celebram o contrato social, que é a transferência mútua de direito. Leis fundamentais da natureza, base da vida social: a) cada homem deve esforça-se pela paz, enquanto tiver a esperança de alcançá-la; e quando não puder obtê-la, deve buscar e utilizar todas ajudas e vantagens da guerra; b) cada um deve consentir, e os demais também concordam, e enquanto se considere necessário para a paz e a defesa de si mesmo, em renunciar ao seu direito a todas as coisas, e a satisfazer-se, em relação aos demais homens, com a mesma liberdade que lhe for concedida com respeito próprio”.
3)   Montesquieu: contratualista atenuado não aborda o terno contrato plenamente; “Leis naturais levam o homem a escolher a vida em sociedade;  a) desejo de  paz; b) entendimento das necessidades, experimentado, principalmente, na procura de alimentos; c) atração natural entre sexos opostos; d) desejo de viver em sociedade.”
4)   Rousseau: “suponho os homens terem chegado a um ponto em que os obstáculos que atentam à sua conservação - no estado natural excedem, pela sua resistência, às forças que cada indivíduo pode empregar para manter-se nesse estado. Então este estado primitivo não pode subsistir e o gênero humano, pereceria se não mudasse de modo de ser”; pacto social visa desfazer desigualdades, dando liberdade e igualdade aos homens.

5)     Groppali: acata preceito básico; “o estado de natureza concebido por Hobbes como de luta é considerado por Rousseau como idílico (suave),  poderá ter o valor de hipótese ou de critério de caráter racional para avaliar sob esse padrão, considerado como estado ideal da sociedade, determinadas condições históricas, muito embora na realidade, jamais tenham existido”.
Teoria natural é a mais aceita, desde primórdios o homem sempre viveu em agrupamentos, nunca isolados, nunca se verificou a guerra de todos contra todos, mas sim de um grupo contra o outro.

Teorias de Justificação da Sociedade
Teoria Orgânica e Mecânica

No grupo de autores que classificam as sociedades a partir de critérios internos destacam-se Herbert Spencer, Talcott Parsons e Émile Durkheim. Spencer baseou-se na doutrina do evolucionismo para elaborar sua teoria sociológica, na qual a premissa básica é a analogia orgânica, isto é, a identificação entre sociedade e organismo biológico: tanto a sociedade como os organismos se distinguem da matéria inorgânica pelo crescimento visível durante sua existência; tanto as sociedades como os organismos aumentam em complexidade de estrutura à medida que crescem em tamanho; e uma diferenciação progressiva de funções acompanha a diferenciação progressiva da estrutura da sociedade e dos organismos. 
O fato principal da "lei geral da evolução" é o movimento das sociedades, de simples para os diversos níveis das sociedades compostas. Spencer fez, assim, a distinção entre sociedades simples (grupos nômades, carentes de organização política e com incipiente divisão de trabalho) e sociedades complexas (nas quais as funções sociais e econômicas multiplicam-se). As sociedades compostas surgiram da agregação de algumas sociedades simples; a agregação de sociedades compostas deu origem às duplamente compostas. 
Durkheim estabeleceu uma diferença entre sociedade primitiva, caracterizada pela "solidariedade mecânica", de forte consciência coletiva; e a sociedade complexa dominada pela "solidariedade orgânica", de marcada diferenciação social. A solidariedade mecânica predomina quando existe grande semelhança entre os indivíduos da sociedade, que partilham sentimentos, adotam os mesmos valores e admitem as mesmas crenças. A solidariedade orgânica é o consenso resultante da diferença, fenômeno que caracteriza a sociedade moderna.  Durkheim vai dividir as sociedades em dois tipos básicos com suas respectivas solidariedades: a Mecânica Orgânica. A primeira solidariedade mecânica (ou por semelhança), a integração entre os indivíduos é intensa. Sociedades simples (hordas, Clãs, tribos), marcada por uma divisão do trabalho de forma também simples entre homens e mulheres, dado o pequeno número de pessoas que as compõem, predomina uma coesão social maior entre os indivíduos. Nelas, o conteúdo de consciência coletiva é o culto à própria sociedade, o respeito total e absoluto à suas crenças. Por isso, nas sociedades de solidariedade mecânica, os indivíduos são totalmente envolvidos pela consciência coletiva e quase não existem diferenças entre eles. O que matem os indivíduos e grupos unidos, nesse tipo de sociedade, é o princípio da semelhança: todos exercem aproximadamente as mesmas atividades. Quando a solidariedade mecânica está na base da sociedade da coesão social, a consciência coletiva envolve completamente a consciência individual. O indivíduo não pertence a si mesmo, pertence à comunidade.
O segundo tipo de sociedade ou solidariedade é a orgânica, diferente da mecânica, pois possui uma grande diferenciação entre os indivíduos. A quantidade de funções entre as pessoas é maior e mesmo a divisão do trabalho é bem mais intensa. O termo é orgânico em decorrência a comparação da sociedade a um organismo, com muitas partes interdependentes mais que estão conectadas uma as outras.
Para Durkheim a solidariedade orgânica é típica da modernidade, o capitalismo com suas diversas atividades proporcionam um número grande de profissionais com funções e posturas diferentes. Ao promover a interdependência das funções profissionais especializadas, a divisão do trabalho social, cuja origem é o aumento da população, gera a solidariedade orgânica.
Na solidariedade orgânica o profissional inevitavelmente dependerá de outro; a divisão do trabalho é maior mais isso não seria um obstáculo para a solidariedade, pelo contrário, a pesar de diferentes cada um necessita do outro para integração. Já que nenhum profissional é autossuficiente, ou seja, a solidariedade é reforçada nesse aspecto, pois cada um ajuda a própria sociedade com a sua especificidade.
Durkheim procura mostrar como, nas sociedades modernas as funções sociais da divisão do trabalho são a principal fonte de coesão ou solidariedade social. Portanto na teoria de Durkheim bem longe do conflito de classe, a sociedade apresenta um grau de solidariedade entre os indivíduos. Na leitura oposta à noção marxista de conflito entre as classes, Durkheim entende que as classes são coordenadoras, cooperativas entre si, e nunca rivais. Elas se complementam mutuamente, proporcionando uma harmonia no funcionamento da sociedade.

Referências Bibliográficas:
http://www.primeiroconceito.com.br/site/wp-content/uploads/2011/10/apostilaSociedadeCapitalista.pdf
http://www.colegioweb.com.br/geografia/sociedade1.html
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