PROCESSOS SOCIAIS


Pode ser interpretado como toda movimentação da sociedade e a inter-relação entre seus indivíduos, provocados pelo desenvolvimento individual e social que resulta em modificação do grupo. São as formas pelas quais os indivíduos se relacionam uns com os outros, ou seja, as formas de estabelecer as relações sociais.
Se partirmos do pressuposto de que cada indivíduo é singular, ou seja, cada um possui suas próprias crenças, valores e ideologias em relação a tudo ao seu redor, concluímos que os tipos de processos sociais estabelecidos entre as pessoas irão depender de cada um. A tendência natural dos seres vivos é de se associarem e desassociarem conforme seus interesses.
O estudo do processo social enfoca o desenvolvimento da personalidade individual e o seu relacionamento com a sociedade, indicando a inter-relação entre individuo e sociedade.
Formas de processo social
Os processos sociais se distinguem em associativos, quando os indivíduos estabelecem relações positivas, de cooperação e de consenso; e dissociativos, quando as relações estabelecidas são negativas, de oposição, de divergência, etc.

Processos sociais associativos
Cooperação – É indispensável para a manutenção e continuidade dos grupos e sociedades. É a forma de intervenção na qual diferentes grupos de pessoas ou comunidades trabalham juntas para o mesmo fim – não necessariamente fazem a mesma coisa. Ex.: princípio da continuidade do serviço público, cooperativas.
Acomodação - É um processo social em que o individuo ou grupo se ajusta a uma situação de conflito, sem ocorrer mudanças internas. Este propicia a adesão e conformidade às normas estabelecidas, à diminuição de conflitos e o estabelecimento de um modo de vida. Acomodação é, então, o processo no qual um indivíduo se contenta, sem satisfação, com a situação que é imposta por um outro indivíduo ou pela sociedade.
Assimilação – É a solução definitiva e tranquila do conflito social; pela assimilação os conflitos são superados. Trata-se do processo social de ajustamento pelo qual indivíduo ou grupos diferentes tornam-se semelhantes. Difere-se da Acomodação, porque implica transformações. Assimilação é o processo que ocorre quando indivíduos de grupos antagônicos se tornam semelhantes.
Processos sociais dissociativos
Competição
Competição é uma forma de interação que envolve luta ou disputa por bens limitados ou escassos. Essa interação é regulada por normas, pode ser direta ou indireta, pessoal ou impessoal, e tende a excluir o uso da força e da violência. Os bens em jogo podem ser objetos físicos ou materiais, assuntos de estima pessoal, dignidade ou recompensa não material. A essência da competição é um choque tal de interesses que o atendimento de um indivíduo ou entidade impede o atendimento de outro indivíduo ou entidade. Em outras palavras, competição é uma disputa entre indivíduos, grupos ou sociedades por bens que não chegam para todos (bens escassos). A competição pode levar indivíduos a agir uns contra os outros em busca de uma situação melhor. Ela nasce dos mais variados desejos humanos, como ocupar uma posição social mais elevada, ter maior importância no grupo social, conquistar riqueza e poder, vencer um torneio esportivo, ser o primeiro da classe, passar no vestibular, vencer um concurso, etc.
Ora, nem todos podem obter os melhores lugares nas esferas sociais, pois os postos mais importantes são em número muito menor do que seus pretendentes, isto é, são escassos - da mesma forma que o número de vagas no vestibular é pequeno em comparação com o número de candidatos em disputa. Assim, os que pretendem alcançar esses postos ou vagas entram em competição com os demais concorrentes. Nessa disputa, as atenções de cada competidor estão voltadas para a recompensa e não para os outros concorrentes.
É importante também observar que a competição "tende a excluir o uso da força", nas palavras de Friedsam. Isso porque ela constitui um tipo de interação regulada por normas, por leis, ou mesmo pelos costumes. Quando a competição viola essas normas, transforma-se em conflito.
Há sociedades que estimulam mais a competição do que outras. Entre as tribos indígenas do Brasil, por exemplo, as relações não são tão acentuadamente competitivas como na sociedade capitalista. Esta última estimula os indivíduos a competirem em todas as suas atividades - na escola, no trabalho e até no lazer -, exacerbando o individualismo em prejuízo da cooperação.
Conflito
Quando a competição assume características de elevada tensão social, sobrevém o conflito.
Diariamente, lemos e ouvimos no noticiário dos jornais, do rádio e da televisão relatos de conflitos em diversas partes do mundo: combates na Colômbia entre tropas do governo e guerrilheiros ou narcotraficantes; ocupações de fazendas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) no interior do Brasil, às vezes seguidas (ou precedidas) de assassinatos de líderes sindicais a mando de grandes fazendeiros; conflitos entre israelenses e palestinos no Oriente Médio; choques armados entre soldados norte-americanos e rebeldes muçulmanos no Iraque.
O conflito social é um tipo de interação que se desenrola no tempo e provoca mudanças na sociedade, tal como a competição. Trata-se, portanto, de um processo social. Em contraste com a competição, ele consiste em uma luta por bens, valores ou recursos escassos, na qual o objetivo dos contendores é neutralizar ou aniquilar seus oponentes. Dessa forma, ao contrário da competição, o conflito envolve, em maior ou menor escala, o emprego da violência.
Comparando a competição e conflito, podemos destacar o seguinte:
· A competição toma a forma de luta pela existência, como a obtenção de alimento, de um emprego etc.;
· O conflito toma as formas de rivalidade, discussão, disputa, litígio, guerra; é mais evidente na luta entre partidos políticos, seitas religiosas, nações.
A competição pode se transformar em um conflito. Vejamos o seguinte exemplo, que ilustra a comparação entre competição e conflito.
Quando, numa escola, os alunos lutam para passar de ano, eles não consideram seus companheiros de classe como adversários: o que existe é uma forma de competição inconsciente e impessoal, pois sua atenção ainda está dirigida para a obtenção de boas notas. Estes estudantes, porém, podem ficar conscientes da competição e passar a encarar seus colegas como rivais, instaurando-se o conflito. A rivalidade, diferentemente da competição, é pessoal. Por exemplo, o estudante A não deseja apenas passar de ano, mas superar o colega B. O estudante que pretende passar em primeiro lugar pode entrar em conflito com outros estudantes que pretendem o mesmo.
Assim, podemos dizer que a competição é:
· Inconsciente; o conflito é consciente;
· Impessoal; o conflito é pessoal e, portanto, emocional.
O conflito implica em violência ou ameaça de violência. Os adversários em conflito estão conscientes de suas divergências, havendo entre eles rivalidade, antipatia, ódio e crítica fortemente carregada de emoção. Os oponentes tendem, em geral, a não considerar as qualidades uns dos outros e a exagerar os defeitos, emitindo juízos pessoais e subjetivos.
A competição é contínua; já o conflito é intermitente, isto é, não pode durar permanentemente com o mesmo nível de tensão social.
No conflito, o primeiro impulso é tentar destruir o adversário. Um grupo em conflito tanto pode canalizar sua tensão para uma revolução ou uma guerra, como reduzi-la a um processo de acomodação.
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