PRESSUPOSTOS BÁSICOS DA ANÁLISE MICROECONÔMICA E MÉTODOS DA ECONOMIA


Pressupostos básicos da análise microeconômica

                                                                                                                                                        A hipótese coeteris paribus
         Para analisar um mercado específico, a Microeconomia se vale da hipótese de que tudo o mais permanece constante (em latim, coeteris paribus). O foco de estudo é dirigido apenas àquele mercado, analisando-se o papel que a oferta e a demanda nele exercem, supondo que outras variáveis interfiram muito pouco, ou que não interfiram de maneira absoluta.
         Adotando-se essa hipótese, torna-se possível o estudo de determinado mercado, selecionando-se apenas as variáveis que influenciam os agentes econômicos - consumidores e produtores - nesse particular mercado, independentemente de outros fatores, que estão em outros mercados, poderem influenciá-los.

         Sabemos, por exemplo, que a procura de uma mercadoria é normalmente mais afetada por seu preço e pela renda dos consumidores. Para analisar o efeito do preço sobre a procura, supomos que a renda permanece constante (coeteris paribus); da mes­ma forma, para avaliar a relação entre a procura e a renda dos consumidores, supomos que o preço da mercadoria não varia. Temos, assim, o efeito "puro" ou "líquido" de cada uma dessas variáveis sobre a procura.

 Papel dos preços relativos

         Na análise microeconômica, são mais relevantes os preços relativos, isto é, os preços de um bem em relação aos demais, do que os preços absolutos (isolados) das mercadorias.
Por exemplo, se o preço do guaraná cair em 10%, mas também o preço da soda cair em 10%, nada deve acontecer com a demanda (procura) dos dois bens (supondo que as demais variáveis permaneceram constantes). Agora, tudo o mais permanecendo constante, se cair apenas o preço do guaraná, permanecendo inalterado o preço da soda, deve-se esperar um aumento na quantidade procurada de guaraná, e uma queda na de soda. Embora não tenha havido alteração no preço absoluto da soda, seu preço relativo aumentou, quando comparado com o do guaraná.

 Princípios da racionalidade

         A grande questão na Microeconomia, que inclusive é a origem das diferentes correntes de abordagem, reside na hipótese adotada quanto aos objetivos da empresa produtora de bens e serviços.
       A análise tradicional supõe o princípio da racionalidade, segundo o qual o empre­sário sempre busca a maximização do lucro total, otimizando a utilização dos recursos de que dispõe. Essa corrente enfatiza conceitos como receita marginal, custo marginal e produtividade marginal em lugar de conceitos de média (receita média, custo médio e produtividade média), daí ser chamada de marginalista. A maximização do lucro da empresa ocorre quando a receita marginal iguala-se ao custo marginal.
         As correntes alternativas consideram que o móvel do empresário não seria a maximização do lucro, mas fatores como aumento da participação nas vendas do merca­do, ou maximização da margem sobre os custos de produção, independente da demanda de mercado.
          Geralmente, nos cursos de Economia, a abordagem marginalista compõe a teoria microeconômica propriamente dita, pelo que é chamada de teoria tradicional, enquan­to as demais abordagens são analisadas nas disciplinas denominadas teoria da organização industrial ou economia industrial.

Sofisma de Composição

          O sofisma da composição é quando se generaliza (sem demonstração) ao todo o que é verdade para a parte, isto é, uma forma incorreta de raciocínio, bastante comum no campo das ciências sociais e da economia em particular, que pretende imputar ao conjunto certos princípios ou leis que são válidos apenas para uma parte do todo.

Métodos da Economia Política

O método é o caminho que a inteligência aplica para chegar a uma verdade. Num contexto econômico, são utilizados vários métodos, tais como monográfico, dedutivo, psicológico, histórico, enquete, modelos, estatísticos, matemáticos, sondagens e dedutivo.
A construção do conhecimento da economia, se dá através da observação sistemática da realidade, seja por método indutivo, por meio de abstrações resultantes de levantamentos e informes quantitativos, para a construção de modelos validados por testes estatísticos, ou dedutivos, isto é, através de abstrações teóricas envolvendo situações e comportamentos não mensuráveis a partir de levantamentos da realidade concreta num esforço de teorização substitutivo da validação experimental. A observação sistemática da realidade é validada pelo confronto permanente com a realidade, o que resulta na formulação de princípios, teorias, leis e modelos explicativos ou interpretativos da realidade, que sofrem reelaboração resultante de novas observações ou de mudanças nas condições preexistentes.


Os desdobramentos econômicos

Temos aqui a economia positiva, que observa os fatos como eles são e se apresentam, sendo descritiva, pois descreve a ação econômica e observa sistematicamente o comportamento de seus agentes e suas relações, dando origem a uma teoria econômica que formula princípios, leis, regras, modelos explicativos da realidade, com fundamento nas descrições e observações da economia descritiva. Há ainda a economia normativa, com a política econômica que se aplica para a melhor condução da ação econômica, as técnicas desenvolvidas e preparadas pela teoria econômica buscando atingir os objetivos pré-determinados.


Referências Bibliográficas

http://insight-laboratoriodeideias.blogspot.com.br/2010/09/sofisma-de-composicao-insight.html
Vaconcellos, Marco Antonio Sandoval de. Fundamentos de Economia. São Paulo: Saraiva, 2008
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