ISOLAMENTO SOCIAL


O isolamento pode ser entendido como a falta de contato ou de comunicação entre grupos ou indivíduos. No mundo atual, praticamente não existe isolamento absoluto. Raros são os grupos humanos que não mantêm, mesmo que esporadicamente, contatos com outros grupos ou indivíduos; encontramos isto sim, variações no grau de isolamento. Assim, ao nos referirmos a uma comunidade isolada, queremos significar que ela mantém contatos pouco frequentes com outras comunidades. Por outro lado, o isolamento pode ser individual, isto é, do individuo dentro do seu grupo ou sociedade.
Os três tipos de isolamento mais importantes são: estrutural, funcional e psíquico.
Isolamento estrutural. É constituído pelas diferenças biológicas tais como sexo, raça, idade. A sociedade atribui funções e atividades diversas a homens e mulheres e, em consequência, cria diferenças de interesses, é praticamente geral, em todas as sociedades, como em países do Oriente Médio (muçulmanos), a segregação dos sexos era estritamente rígida e, nas raras ocasiões em que a mulher pudesse estar em presença de outros, que não seus familiares, devia ter o rosto coberto por véu. Na Arábia Saudita, foi necessária uma atitude firme por parte do rei Faiçal para que a educação fosse extensiva ao sexo feminino.
Mas o costume da separação de sexos determinou a criação de unidades especiais, acompanhava lição do professor através de um circuito interno de televisão. Na sociedade industrialmente desenvolvida, os movimentos feministas são extremados, que lutam pela igualdade da mulher, em todos os campos, principalmente o profissional, demonstrando bem que, mesmo hoje, em nossa sociedade, existem essas diferenças determinada pelo sexo.
O Relativo isolamento de grupos étnicos pode ser observado nos guetos de judeus (afastamento obrigatório, no passado, em muitas sociedades); no Harlen negro, nos Estados Unidos (New York); na reunião dos japoneses no bairro da Liberdade, em São Paulo.
A idade também acarreta isolamento nas sociedades, em virtude de os grupos de idade serem, até certo ponto, segregados. Os movimentos da juventude de hoje, formando “colônias” próprias, é um bom exemplo desse tipo de isolamento. Ainda dentro do fator idade, vamos encontrar o isolamento dos velhos que se está transformando num problema da sociedade atual.
Isolamento Funcional. Tem origem nos defeitos físicos – cegueira, surdez, mudez e outras limitações físicas. Essas deficiências impedem, muitas vezes, a comunicação, como no caso mais conhecido de Hellen Keller, cujo processo de socialização só foi possível quando sua preceptora, extremamente dedicada, conseguiu vencer a barreira formada por sua deficiência física, que a isolava do mundo. Os portadores de defeitos físicos, mesmo quando vencem a barreira da comunicação, tem sua participação limitada em muitas das atividades grupais.
Isolamento psíquico. Diz respeito à separação ocasionada pela diferença de hábitos, costumes, usos, linguagem, religião e outros fatores. O primeiro e mais obvio exemplo é o daqueles que não falam a mesma língua, cuja comunicação só poderia ser feita através de gestos. Mas essa diferença de linguagem não é a única entre eles. Diferentes povos, em virtude de sua cultura característica, criam diferenças de hábitos e até de perspectivas em relação ao mundo. Torna-se difícil compreender os valores de um povo que pratica o canibalismo, o infanticídio ou a eliminação de pessoas idosas – gerontocídio. Muitos hábitos de higiene corporal e de alimentação causam espanto, às vezes até repugnância. Os esquimós, por exemplo, comem carne deteriorada e o conteúdo semi-digerido do estômago do caribu.
O etnocentrismo concorre para o isolamento, pois é uma atitude de supervalorização das características de “nosso grupo” e de menosprezo por tudo o que é do “grupo alheio”. Antigamente, o fanatismo religioso levava a uma total impossibilidade de comunicação entre elementos de credos diversos. Há sobrevivência deste fato na Índia. Hoje, a tolerância religiosa permite, no Ocidente, uma possibilidade de dialogo, principalmente depois da atividade ecumênica do Papa João XXIII.
As conseqüências do isolamento no individuo e no grupo: em relação ao individuo, é importante salientar a época em que ocorre o isolamento, em virtude de seus efeitos serem diferentes: antes de ser socializado, isto é, nos primeiros anos de vida, se a criança for afastada inteiramente do convívio de outro seres humanos, tornar-se-á o chamado homo ferus. Poucos são os casos devidamente estudados por cientistas sobre crianças que foram encontradas vivendo isoladas ou em companhia de animais. De todos os casos relatados, o mais famoso é o das “meninas-lobo” da Índia. Quando encontradas, apresentavam características de animais: andavam sobre quatro membros, soltavam grunhidos e tinham apurada visão noturna.
Se o afastamento for pronunciado, mas não total, temos uma mentalidade retardada. Kingsley Davis cita o caso de duas meninas ilegítimas que até a idade de mais ou menos seis anos, permaneceram trancafiadas em um quarto, Ana permaneceu sozinha e somente suas necessidades biológicas de sobrevivência foram satisfeitas; Isabel foi mantida em reclusão juntamente com a mãe, surda-muda. Ambas as crianças, ao serem descobertas, apresentavam mentalidade retardada. Ana assemelhava-se a um bebê: imóvel e indiferente a tudo; Isabel procedida quase como um animal selvagem, manifestando receio e hostilidade. Nenhuma das duas falava. Após um processo de socialização, apresentaram progressos notáveis, mas, infelizmente, faleceram em poucos anos.
Depois que o individuo estiver socializado, o isolamento prolongado provocará a diminuição das funções mentais, podendo chegar à loucura. Foram constatados tais casos entre prisioneiros e também entre eremitas.
Quando um grupo, o isolamento produz costumes sedimentados, cristalizados, que praticamente não se alteram, porque a estrutura da sociedade é altamente integrada, e as atividades dos indivíduos padronizadas. Há um máximo de estabilidade e acomodação pessoal, reduzindo-se ao mínimo a desorganização pessoal e a possibilidade de mudança social. Exemplos: habitantes de uma área rural de Quebec, Canadá, que falam francês arcaico e mantém inalterados seus costumes desde sua imigração: povo que vive nas montanhas do sul dos Estados Unidos, oriundo da Inglaterra e Escócia, que conserva intacta sua cultura original de 200 anos.
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