O que é a escola de Chicago?



O estudo da grande metrópole norte-americana, por parte dos pesquisadores da Escola de Chicago, privilegiou algumas temáticas. As variadas formas de criminalidade e o fenômeno da imigração foram os temas mais bem estudados. Sem dúvida alguma, essa tendência se deve ao fato de que os problemas sociais que mais dramaticamente afetavam a cidade estavam relacionados com a criminalidade, a marginalidade e a chegada de grandes contingentes de imigrantes. Sobre a criminalidade em suas variadas formas, os estudos mais importantes chegaram à conclusão de que as zonas ou regiões urbanas que se encontravam em estado de deterioração, desorganizadas e carentes de serviços públicos básicos (os chamados cinturões de pobreza) eram oshabitats propícios para o surgimento e ação das gangues de rua e bandos de delinquentes juvenis. Consequentemente, eram as regiões que apresentavam as maiores taxas de criminalidade. Desse modo, os pesquisadores demonstraram que a cidade tinha áreas sociais que geravam o crime: o espaço urbano degradado condicionava a quebra das regras e instituições sociais (escola, família) e, de certa forma, determinava os comportamentos desviantes. Sobre a imigração, os pesquisadores procuraram compreender as interações que ocorrem quando da chegada do imigrante na grande metrópole. Basicamente, identificaram quatro tipos básicos de interação social: competição, conflito, acomodação e assimilação.
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Essa escola sepulta a Escola Positiva, advogando que, apesar de não determinar, o ambiente influencia demasiadamente o individuo a ingressar na criminalidade. A conclusão a que se chegou foi fruto de uma análise do crime sob o prisma geográfico, mais precisamente, a partir de uma percepção empírica da cidade de Chicago, localidade que enfrentou extraordinário crescimento populacional, sendo objeto de estudo dos teóricos da também denominada Escola Ecológica.
Entre as contribuições dessa escola destacam-se as do campo metodológico associando a pesquisa à formulação de políticas criminais. No âmbito da metodologia instituíram a análise estatística evidenciando a distribuição espacial. Os estudos realizados apontavam para a necessidade de mudanças efetivas nas condições econômicas e sociais das crianças (carreiras dos delinquentes). Evidenciaram também as demandas de melhorias sanitárias e manipulação do ambiente físico, considerando inclusive as oportunidades de realização dos delitos, como estratégias de prevenção que deveria ser priorizadas em detrimento das repressivas.²
Percebeu-se que nas zonas de maior incidência criminógena, habitadas principalmente por migrantes e imigrantes, não havia fatores de controle social informal, isto é, era um ambiente desprovido de elos sociais.
A Escola de Chicago se atenta, sobretudo, a força do ambiente que, muito embora não gere um criminoso, o influencia bastante. O ambiente propicia o fenômeno do crime.
Os teóricos de Chicago, e aqui temos a mais importante contribuição dessa escola, concluíram que é preferível que se valorize o fator prevenção do que o fator repressão – há a consciência de que, ao interferir no ambiente, interfere-se no fator produtor da criminalidade.


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